segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Chamada de publicação

Dossiê 2019/1: Narrativas históricas e narrativas literárias - entre a crítica e a escrita da história
Organização: Ana Nemi (Universidade Federal de São Paulo) e Mirhiane Mendes de Abreu (universidade Federal de São Paulo)
As aproximações e dissonâncias entre a história e a literatura têm sido objeto de intensos debates e disputas nos últimos trinta anos, especialmente no que diz respeito à definição das fronteiras entre história e ficção, ou, dito em outras palavras, à  possível trajetória autônoma da literatura em relação aos seus contextos de produção. Esse número da revista Intellèctus se propõe a aprofundar tal debate a partir de estudos de autores e/ou obras ficcionais que problematizem as fronteiras entre história e ficção. Acredita-se aqui que, se de um lado cabe historicizar a obra literária, seu autor e seus personagens, também é interessante indagar ao autor e à sua narrativa sobre os conteúdos que tensionam as determinações do tempo. A pesquisa nos textos literários e sobre a polêmica trajetória dos seus autores como objeto de crítica, em meio à sintaxe e economia interna da narrativa, revelam testemunhos históricos que complexificam o entendimento de conjunturas históricas e de temas que, muitas vezes, extrapolam essa mesma conjuntura. É nesse sentido que cabe submeter os possíveis “inexplicáveis” do texto literário à inquirição do historiador e do crítico literário. Dessa forma, se é relevante estudar a obra literária em seu contexto, também é importante buscar diálogos de tempos e experiências distintas a partir dela. Parafraseando Mário de Andrade, em seus profícuos estudos da obra de Kiesserling, narrativas literárias podem guardar diálogos entre o lugar e o mundo que permitem encontrar e elucidar testemunhos históricos em momentos e contextos definidos, mas, permitem também, indagar  sobre trajetórias mais amplas com significados cuja temporalidade rebelde convida a diálogos não necessariamente presentes apenas na conjuntura vivida pelo autor e pelos seus personagens. Com essas questões no horizonte, serão aceitos artigos sobre textos e autores nacionais e estrangeiros que permitam aprofundar o debate entre a história social e a história cultural, a crítica literária e a escrita da história da literatura.
Data limite para submissão de artigos: 15 de fevereiro de 2019.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

7º Concurso Nacional de Ensaios - Prêmio Gilberto Freyre

Com o objetivo de estimular a pesquisa e a discussão sobre a obra do grande autor e antropólogo Gilberto Freyre, a Fundação Gilberto Freyre e a Global Editora promovem o Concurso Nacional de Ensaios.
Esta 7ª edição premiará a melhor análise e interpretação da obra de Gilberto Freyre, podendo  compreender as suas várias facetas intelectuais: antecipador, antropólogo, sociólogo, historiador social, escritor literário, pensador, político, tropicólogo, jornalista, conferencista e educador.
O autor do trabalho vencedor receberá R$ 20.000,00 (vinte mil reais) e terá seu trabalho publicado em livro pela Global Editora. As inscrições podem ser feitas até 15 de outubro de 2018, na Fundação Gilberto Freyre (Recife), na Global Editora (São Paulo) ou pelos Correios.
Fonte: http://plataforma9.com/financiamento/7-concurso-nacional-de-ensaios-premio-gilberto-freyre.htm;jsessionid=3A17F37777FB06667E6E1180D6045265

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Registro do Bem Cultural de Natureza Imaterial Denominado "Literatura de Cordel" Como Patrimônio Cultural do Brasil


AV I S O
Comunicação Para Efeito de Registro do Bem Cultural de Natureza Imaterial Denominado "Literatura de Cordel" Como Patrimônio Cultural do Brasil.

Na forma e para os fins do disposto no § 5º do art. 3º do Decreto nº 3.551, de 04 de agosto de 2000, o INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL - IPHAN dirige-se a todos os interessados para A V I S A R que está em trâmite, no âmbito deste Instituto, o Processo Administrativo n.º 01450.008598/2010-20, que se refere à proposta de registro da Literatura de Cordel, de âmbito nacional, como Patrimônio Cultural do Brasil. A solicitação foi apresentada pela Academia Brasileira de Literatura de Cordel, sediada na cidade do Rio de Janeiro, e conta com o apoio e interesse de membros da comunidade detentora deste bem cultural por meio de abaixo-assinado e vídeo com depoimentos de anuência. A origem da palavra cordel está associada às práticas editoriais na Europa Ocidental que visavam ampliar a difusão dos livros. Pequenas brochuras impressas em papel barato eram colocadas à venda em feiras e mercados penduradas em cordões. Portanto, a expressão literatura de cordel significava inicialmente muito mais um modo de exposição para venda do que propriamente um gênero literário. Por extensão, passou a se referir a edições de baixo custo e adaptações de narrativas orais, peças de teatro e obras manuscritas para um público pouco familiarizado com a escrita. No Brasil, a expressão literatura de cordel passou a ser empregada em fins da década de 1950 e hoje em dia é reconhecida, pelos detentores, como a que propriamente nomeia as composições em versos de que trata a instrução deste processo. Os vínculos históricos da literatura de cordel com as narrativas orais, a cantoria, o repente, a embolada, a glosa e a declamação ensejaram a criação de estruturas formais para os poemas, facilitando a memorização dos versos. Em um contexto de oralidade, os padrões rítmicos e métricos funcionam como um resistente suporte mnemônico. Eis então que a tríade rima, métrica e oração, detalhadamente descrita na instrução do processo, constitui o alicerce sobre o qual os poemas se assentam. Quando tais cânones são cumpridos, a composição poética passa a se inserir em uma longa linhagem literária, uma tradição transmitida por gerações a partir do convívio com poetas ou da leitura de autores que se tornaram referência neste gênero. Os poetas sempre buscaram inserção nos meios de comunicação disponíveis e o desenvolvimento da radiodifusão, da indústria fonográfica e da circulação dos jornais possibilitou a gravação de pelejas, cantorias e desafios, contribuindo para que o folheto impresso se tornasse o suporte da poesia cantada e declamada oralmente. No formato de livros de bolso, geralmente medindo 11 cm × 16 cm, em papel de baixo custo e vendidos a preços módicos, os folhetos de cordel costumam ser impressos em uma folha de 30 × 20 cm dobrada ao meio e, em seguida, na margem esquerda, tendo, assim, número de páginas múltiplo de 4. As informações editoriais essenciais para os leitores - título, autor, tipografia, preço - aparecem nas capas dos folhetos. As capas merecem um destaque à parte em função da imagem que ilustra o folheto. Não se trata de uma mera ilustração do texto, mas tem função mnemônica, condensando a trama da narrativa, e função metafórica, multiplicando sentidos e significados que abarcam a observação do cotidiano e da vida social. Dentre todas as técnicas imagéticas já empregadas, a arte da xilogravura acabou conferindo uma identidade visual ao folheto de cordel. A longa continuidade histórica desta prática cultural não deixou de ser pontuada por conflitos e desafios. No contexto da migração dos poetas para diversas regiões do país, alguns espaços públicos nos grandes centros urbanos se constituíram em territórios de referência para preservação de laços de sociabilidade, apresentações e transmissão de saberes, favorecendo uma resistente permanência apesar de entraves de toda ordem. O exame das narrativas ao longo do tempo revela que os poetas estiveram sempre atentos aos contextos da época e às experiências de vida de seus leitores e ouvintes, abordando novas temáticas, novas linguagens e novos públicos. Isso fez com que a literatura de cordel tenha se mantido ao mesmo tempo vinculada a um repertório que se firmou nas primeiras décadas do século XX e atualizada constantemente, dada a capacidade de os versos rimados traduzirem interpretações do cotidiano e da vida social. A relevância dos significados e valores da literatura de cordel, efetivos e atuais, sua capacidade de desenvolver formas de transmissão de saber que envolvem múltiplas dimensões para além do ensino formal e sua contribuição à formação da sociedade brasileira e à construção da identidade nacional são detalhadamente apresentadas no processo de instrução técnica, motivando a emissão de parecer favorável à inscrição da Literatura de Cordel no Livro de Registro de Formas de Expressão. A presente comunicação tem por finalidade tornar público o ato que se quer praticar e permitir que, no prazo de 30 (trinta) dias contados desta publicação, qualquer interessado apresente a sua manifestação.
AMPARO LEGAL: art. 216, inciso I, da Constituição da Republica Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988; Lei n.º 8.029 de 12 de abril de 1990; Lei n.º 8.113, de 12 de dezembro de 1990; Decreto n.º 3.551, de 4 de agosto de 2000; Resolução do Iphan n.º 001, de 3 de agosto de 2006 e Decreto n.º 9.238, de 15 de dezembro de 2017.

PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DOS INTERESSADOS:
30 (trinta) dias.

CORRESPONDÊNCIA PARA: Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural - Presidente - SEPS Quadra 713/913 Sul, Bloco D, Edifício IPHAN, 5º andar - Asa Sul - Brasília - Distrito Federal -CEP: 70.390-135.
ANDREY ROSENTHAL SCHLEE
Presidente
Substituto


sexta-feira, 22 de junho de 2018

J. Borges - 80 Anos

J. Borges - 80 Anos

O quê: A exposição apresenta a trajetória de vida do xilogravurista e cordelista pernambucano J. Borges, cujas obras retratam o cotidiano do agreste e elementos culturais nordestinos. Apresenta também obras assinadas por J. Miguel e Manassés Borges, filhos e aprendizes do artista, além de exibir uma cinebiografia sobre sua vida e obra dirigida pelo jornalista Eduardo Homem.
Quando: De 7/6 a 22/7. Terça a domingo, das 9h às 21h. Entrada franca.
Onde: CAIXA Cultural Brasília (SBS Quadra 4 Lotes 3/4 | Brasília - DF)
Informações: (61) 3206-9448 | www.caixacultural.gov.br
FONTE: Boletim eletrônico e-museus nº 694

Maria Auxiliadora: vida cotidiana, pintura e resistência

O quê: A exposição apresenta 82 obras da artista Maria Auxiliadora (Campo Belo, Minas Gerias, 1935 – São Paulo, 1974), que cresceu em uma família de artistas brasileiros autodidatas integrantes do movimento negro. A ideia é renovar o interesse na original produção da artista, ampliando as leituras sobre sua vida e obra para além dos rótulos que associaram à arte chamada “popular”, “primitiva”, “naif” ou “afro-brasileira”.
Quando: Até 10/6.
Onde: Museu de Arte de São Paulo (Av. Paulista, 1578 | São Paulo – SP)
Informações: masp.org.br
FONTE: Boletim eletrônico e-museus nº 694

sábado, 16 de junho de 2018

Exposição no Sesc Tijuca homenageia Leandro Gomes de Barros

Fonte: http://www.sescrio.org.br/noticia/12/06/18/exposicao-no-sesc-tijuca-homenageia-patrono-da-literatura-de-cordel
RIO DE JANEIRO - O Sesc Tijuca abre nesta sexta-feira (15/6), às 18h, a exposição “Cordel e Cantadores - Brasil, a República do Cordel”, em evento que integra as celebrações pelos 100 anos de falecimento do poeta Leandro Gomes de Barros (1865-1918), considerado um dos patronos da literatura de cordel, sendo o primeiro a montar uma estratégia de distribuição nacional. A cerimônia de abertura contará com a presença do ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, que receberá do presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), Gonçalo Ferreira da Silva, a medalha Leandro Gomes de Barros, maior honraria da academia.
A mostra apresenta a história do cordel e da arte de xilogravura, dois importantes destaques da cultura nordestina. O público terá acesso a uma coleção com cordéis de Leandro Gomes de Barros, obras que até os dias de hoje são reeditadas e estão entre as mais vendidas em todo o território nacional. Também estará em exibição uma coleção de cordéis comemorativos do Centenário de Juazeiro do Norte (2011), município fundado por Padre Cícero, um dos maiores incentivadores do cordel e das expressões culturais e artísticas nordestinas. Estampas obtidas através da xilogravura para capas e ilustrações de cordéis, assim como xilogravuras em alto relevo sobre madeira, também estão entre os destaques da exposição.
Os itens estarão expostos em ambiente que levará os visitantes a uma viagem ao nordeste. Um boneco com a imagem de Leandro Gomes de Barros, confeccionado pelo artista plástico Pedro Ferreira, dará as boas-vindas aos visitantes. Uma barraca de praça, onde tradicionalmente os cordéis são vendidos em cidades do nordeste e em feiras típicas do sudeste, compõe a ambientação da exposição, que contará ainda com imagens de Padre Cícero em borracha reciclada, uma alusão ao engajamento do sacerdote cearense às causas ambientais.
Um item da exposição chama a atenção para a condição do cordelista imigrante em tempos de censura: uma maleta de cordéis em que os artistas levavam suas obras para comercializar nas praças no sudeste do Brasil. A peça lembra os cordelistas que foram perseguidos pela polícia sob a acusação de escrever sobre temas de liberdade social e igualdade entre os povos.
A exposição fica em exibição no Sesc Tijuca até o dia 17 de agosto. Depois, parte para o Sesc Campos, no norte do estado, onde fica entre 5 de setembro e 31 de outubro. O Sesc Nova Iguaçu recebe a mostra de 10 de novembro a 30 de dezembro. A mostra compõe o projeto O Nordeste é Aqui no Sesc RJ, cujo objetivo é preservar as tradições nordestinas e refletir sobre sua importância para o Rio de Janeiro e o restante do país. Além de exposições, a iniciativa conta com uma programação com cursos, oficinas, debates, shows e outras atividades alusivas à cultura nordestina. A programação completa, que se estende até dezembro, pode ser consultada em www.nordesteaquisescrj.com.br.  
Cordelteca do Sesc Tijuca – A abertura da exposição marca também a inauguração da Cordelteca do Sesc Tijuca, que ganhou o nome do presidente da ABLC: Gonçalo Ferreira da Silva. Trata-se da 27ª cordelteca chancelada pela academia no país – a 4ª no estado do Rio. O espaço, que fica dentro da biblioteca da unidade, é inaugurado em um momento importante para essa manifestação artística: a literatura de cordel está prestes a ser reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Imaterial Brasileiro. Para celebrar a abertura da exposição e da cordelteca, o cantor Junu, idealizador da festa e do bloco Terreirada Cearense, apresenta show com seu repertório de canções com ritmos nordestinos, como baião, xaxado, samba, xote, ciranda, marcha, cabaçal e coco. Haverá também apresentação de cordelistas do Rio e de São Paulo. Entre as personalidades ilustres que confirmaram presença no evento estão o cantor e compositor Moraes Moreira e o poeta Mestre Egídio, de Juazeiro do Norte.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

ABRAÃO BEZERRA BATISTA


ABRAÃO BEZERRA BATISTA (Juazeiro do Norte, Ceará, 4/4/1935). Cordelista, xilógrafo, biólogo, professor aposentado da Universidade Regional do Cariri (URCA). Reside até hoje em Juazeiro do Norte e continua em plena atividade, aos 81 anos. Publicou seu primeiro folheto em 1968, intitulado “Primeira entrevista de um repórter de Juazeiro do Norte com 44 Santos cassados”. Escreveu centenas de folhetos sobre a história da cidade de Juazeiro do Norte, sobre o cangaço, sobre a política nacional e local. Além destas temáticas escreveu também dezenas de folhetos de histórias ficcionais, próximas do gênero do realismo fantástico. Participou de inúmeras exposições como xilógrafo em galerias e museus em todo o país. Um dos autores da literatura de cordel com maior número de títulos publicados no Brasil. Sobre Abraão Batista já foram publicados inúmeros artigos de jornais - escritos por pesquisadores da literatura de cordel, da xilogravura e por jornalistas. Algumas entrevistas e documentários estão disponíveis na internet, onde é possível ter uma perspectiva de seu trabalho e de seu processo criativo. Em 1984, durante sua gestão como secretário de cultura de Juazeiro do Norte, participou ativamente da criação do Centro de Cultura Popular Mestre Noza para abrigar a produção artística e artesanal da Associação de Artesãos do Padre Cícero. Além de autor de folhetos, Abraão Batista também se notabilizou como importante xilógrafo, tendo ilustrado centenas de folhetos de sua autoria e emprestado seu traço artístico para ilustrar poemas de outros autores brasileiros. Sua virtuose como xilógrafo se tornou reconhecida no âmbito da arte plástica, tendo participado de diversas exposições em galerias e museus. No artigo intitulado A gravura matuto-barroca da terra do Padre Cícero, publicado em 1981, o pesquisador e colecionador Jeová Franklin (1941-2013), divide a xilogravura popular em duas “escolas” distintas: a “Escola de  Juazeiro”, que teria como principais representantes, além de Abraão Batista, Walderêdo Gonçalves, Mestre Noza e Stênio Diniz e a “Escola de Caruaru”, cujos representantes são Dila, J. Borges, José Costa Leite e Francisco Amaro. No artigo A via sagra da gravura sertaneja, publicado em 1981, Jeová Franklin afirma o seguinte: “depois de um período de apogeu como elemento de ilustração das capas de cordel (décadas de 30 e 40) a xilogravura começou a passar por uma fase de rejeição de seu público tradicional (Nordeste rural) chegando a ser vista como atividade em extinção. Mas com ajuda estrangeira ela reagiu, se impôs como meio de expressão, e agora chega a disputar espaço físico com o televisor em casas de classe média de Olinda e Recife, preenchendo como símbolo de bom gosto e de autenticidade cultural o vazio deixado pelo meio eletrônico” (p.41). A produção de gravuras de Abraão Batista se inicia justamente no momento (final da década de 1960) em que esta arte plástica passa a obter o interesse de pesquisadores e colecionadores, além de galeristas e críticos de arte brasileiros e extrangeiros.

Fontes:
FRANKLIN, Jeová. A gravura matuto-barroca da terra de Padre Cícero. O povo, Fortaleza, 09.07.1981.
FRANKLIN, Jeová. A via sagra da gravura sertaneja. Revista Interior, v. 7, nº 39, Brasília, jul-ago, 1981, p. 40-41.
FRANKLIN, Jeová. Xilogravura popular na literatura de cordel. Brasília: Lge Editora, 2007.

ABC


ABC: composição muito comum na literatura de cordel em que cada verso começa com uma letra do alfabeto. Por esta razão, os poemas escritos na modalidade ABC foram bastante utilizados no processo de letramento e de alfabetização no sertão nordestino, uma vez que cada verso é associado a uma letra e auxilia na memorização do alfabeto e das palavras.
Em decorrência do Primeiro Congresso de Folclore, realizado de 22 a 31 de agosto de 1951 na cidade do Rio de Janeiro, o ABC foi identificado como integrante da poesia popular mnemônica, assim como o Pelo Sinal, as xácaras, as loas e motes.
No livro Glossário da poesia popular, do cantador e pesquisador José Alves Sobrinho, há uma definição bastante apropriada do gênero ABC. Um exemplo de como os poetas da literatura de cordel compõem o ABC está nas três primeiras estrofes do folheto ABC da caída do Zebu, de autoria de Adolfo Mariano:
A caída do zebu
Para muitos foi um fracasso
Tem caboclo jururu
Que mostrava ser ricaço
Outros ficava quase nu
No mundo marcando passo.

Base ninguém tinha certa
Pra entrar nesse mercado
Por isso a fivela aperta
Mormente nos abastados
Eu também choro pelas ofertas
Que eu enjeitei pelo meu gado

Comigo foi engraçado
Eu gozo em contar
Invés de eu vender meu gado
Desenvolvi a comprar
Se hoje vivo apertado
Tem muito para consolar (MARIANO, s.d., p. 7).

Fontes:
ALVES SOBRINHO, José. Glossário da poesia popular. Campina Grande: Editel, UFPB, 1982.
MARIANO, Adolfo. ABC da caída do Zebu. Goiânia: Oriente, [19-]. Disponível em: http://docvirt.com/docreader.net/docreader.aspx?bib=cordel&pasta=&pesq=ABC%20da%20caida%20do%20Zebu. Data de acesso: 16 jun. 2016.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Concurso Sílvio Romero, edição 2018

Estão abertas as inscrições para o “Prêmio Sílvio Romero de Monografias sobre Folclore e Cultura Popular”, organizado pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (CNFCP/Iphan), e direcionado a trabalhos inéditos sobre temas de folclore e cultura popular. O valor é de R$25mil para o primeiro lugar e de R$20 mil para o segundo. O objetivo é fomentar a pesquisa, estimulando a diversidade e atualização da produção de conhecimento no país nesse campo de estudos. As inscrições vão até o próximo dia 18 de junho.
   
Só poderão participar brasileiros natos, naturalizados ou estrangeiros residentes no Brasil. O trabalho a ser inscrito poderá ser individual ou de equipe. Deverá ser inédito, de autoria do(s) participante(s) e escrito em português. São considerados inéditos os textos inseridos em documentos de circulação restrita a universidades, congressos, encontros e centros de pesquisa. Há ainda algumas restrições de inscrição que podem ser consultadas nos itens 4.4 a 4.8 do edital.
   
O trabalho deve ter caráter monográfico e ser enviado por e-mail, em arquivo PDF, para concurso.cnfcp@iphan.gov.br. O envelope lacrado com os dados de identificação deverá ser entregue no CNFCP, na Rua do Catete, n° 179, Catete, Rio de Janeiro/RJ, CEP 22.220-000, até as 18 h do dia 18 de junho. O envio também pode ser feito pelos Correios, com registro de postagem até a referida data.

As monografias concorrentes deverão demonstrar: contribuição ao aprofundamento e renovação dos estudos de folclore e cultura popular; originalidade no tema e abordagem; domínio de bibliografia especializada; consistência na argumentação e clareza na apresentação dos resultados, entre outras características.
    
http://www.cnfcp.gov.br/interna.php?ID_Materia=469