sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Manoel Monteiro na FLIT Tocantins

Fonte: Secretaria de Comunicação do Governo do Estado do Tocantis

Publicada em por Josélia de Lima em Educação

  • Foto: Manoel Lima/Seduc

    Manoel Monteiro falou dos avanços que o cordel teve ao longo dos anos, da sua importância como ferramenta auxiliar do professor em sala de aula e dos livros que são apreciados até pelos analfabetos

    Manoel Monteiro falou dos avanços que o cordel teve ao longo dos anos, da sua importância como ferramenta auxiliar do professor em sala de aula e dos livros que são apreciados até pelos analfabetos

O ícone do cordel no Brasil, Manoel Monteiro, conversou com a equipe da Assessoria de Comunicação da FLIT nesta terça-feira, 26. Ele e Moreira de Acopiara fizeram um duelo de poesias na Estação Cordel. Manoel Monteiro falou dos avanços que o cordel teve ao longo dos anos, da sua importância como ferramenta auxiliar do professor em sala de aula e dos livros que são apreciados até pelos analfabetos.

O poeta Manoel Monteiro explicou que no Brasil três livros são lidos com frequência: a Bíblia ou um livro indicado pelo líder da igreja; os folhetos de cordel e o lunário, que as pessoas consultam para saber as condições do tempo. São exemplares que até os analfabetos sabem de cor de tanto ouvir alguém contar.

Simpático e bem humorado, Manoel Monteiro vai falando sobre a evolução do cordel nos últimos anos. Ele trabalha para cinco editoras, uma delas, a FTD, que publicou coletâneas de clássicos reescritas na forma de literatura de cordel, como o Gato de Botas, um conto de Charles Perrout. A esse fenômeno, Manoel Monteiro, denomina de maioridade do cordel.

Manoel Monteiro frisou que o seu objetivo de vida é levar o cordel para a sala de aula. Essa tarefa tem sido um sucesso. “O cordel merece um estudo criterioso de pessoas comprometidas com o conhecimento”.

Ele contou uma história verdadeira, daquelas dignas de um folheto. Há 50 anos, Manoel Monteiro havia escrito um cordel denominado “A vida do filho de Antônio Cobra Choca”. Como nesta época Manoel Monteiro fazia cordéis para vender na feira, não deu muita importância para sua produção, acabou perdendo o original e não tinha mais exemplares. Anos depois, em uma escola de Londrina, Paraná, havia passado por lá, um divulgador do cordel da Paraíba, que tinha adquirido o exemplar do tal livro e contou a história na escola. De tanto que gostaram, mandaram fazer novos exemplares e um deles chegou até Manoel Monteiro, para alegria do seu criador.

Nesta nova roupagem do cordel, Manoel Monteiro conta que o seu objetivo não é para diversão, mas para que as pessoas passem a gosta de ler, porque a poesia é uma magia que atrai pessoas.

Para ser cordelista tem que ter comprometimento com a qualidade do que se produz, é necessário ser culto, saber das normas da Língua Portuguesa, porque a linguagem coloquial não contribui para o crescimento pessoal, diz Manoel Monteiro. “O cordel é vivo, não substitui nada na sala de aula, funciona como auxiliar do professor. Os lares estão cheios de objetos eletrônicos e poucos livros. O objetivo do cordel é fazer leitores”, afirma.

Um exemplo de como a literatura de cordel está sendo utilizada em sala de aula acontece na Escola Infantil Casinha de Brinquedo, em Campina Grande (PB), onde alunos de 4 a 5 anos publicaram seu primeiro volume, com textos e ilustrações de criação das próprias crianças. Manoel Monteiro enfatiza que além de ser para alunos de todas as idades e classes sociais, o cordel não é artigo nordestino, é artigo brasileiro.

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